Tudo o que somos...

                              Sulamith Wülfing – The Young Girl (1942)


Aceite-se como é ... e todos os seus recursos interiores desvelar-se-ão para tornar-se no que quer ser.



Quais as implicações de o terapeuta oferecer-se como pessoa?


Implica que o terapeuta tenha que se confrontar com as suas questões pessoais que não quer encarar, e que lhe vão sendo trazidas pelo cliente. Há um confronto constante com as suas fragilidades, não lhe sendo possível a evitação. O instrumento terapêutico passa a ser o Self do terapeuta, utilizando-se a expressão “ O curador ferido” de Hyckner.

O primeiro objectivo é a construção da “relação de confiança” com o cliente, sendo para tal necessário “confirmá-lo” e “aceitá-lo” na sua realidade existencial. O que o cliente necessita é de restaurar as feridas do desamor.

É numa relação de confiança que o individuo se revela, ou seja tem a possibilidade de exprimir livremente sentimentos e emoções, vivenciar a aceitação e confirmação por parte do outro, despertando a esperança adormecida, abrindo as portas da criatividade e, recriando a vida.

Martin Buber, 1923 “ Toda a vida é Encontro. Eu só existo na medida que digo Tu ao Outro aceitando a sua alteridade, com a totalidade do meu ser, e por ele sou aceite.”

É uma criança Despistada ou tem Défice de Atenção ?!



Todas as pessoas se lembram de terem cometido erros por não estarem atentas, mas os pequenos despistes ocasionais não têm nada a ver com a disfunção da atenção. As crianças com falta de atenção não conseguem concentrar-se durante um tempo prolongado nem no trabalho nem nas brincadeiras.

O défice de atenção é uma alteração que costuma estar associada à hiperactivi­dade, embora os sintomas de falta de atenção predominem, por vezes, até à idade adulta.

CONSEQUÊNCIAS DA FALTA DE ATENÇÃO NA VIDA QUOTIDIANA

A criança com défice de atenção tem muita dificuldade em estar atenta às ex­plicações dos professores e costuma fal­tar-lhe os dados para realizar os deveres. A leitura, a escrita e a matemática são as áreas escolares em que o atraso se acen­tua mais.

As censuras frequentes por não estar com atenção podem provocar na criança uma atitude de frustração que se ma­nifesta em rejeição para com a escola, em confronto com os professores ou passivi­dade. A criança apercebe-se de que, por mais que tente estar com atenção, não consegue e isto aumenta a sua frustração.

COMO PODEM OS PAIS AJUDAR


Os pais devem compreender que o filho tem um problema e que não age assim para aborrecer os outros, mas porque não sabe nem pode fazer outra coisa. Com esta mudança de atitude, os pais deixam de censurá-la e a criança sentir­-se-á aliviada.

Estas crianças precisam que os pais lhes dediquem tempo e que, quando es­tiverem a falar ou a realizar actividades com elas, não existam interferências. Convém que a televisão não esteja ligada nem que haja outras pessoas que recla­mem a sua atenção. Costuma ser benéfico propor-lhes actividades ou brincadei­ras que exijam que estejam atentas aos pormenores e que as obriguem a manter a atenção durante um certo tempo.

Os pais devem estar disponíveis para ajudar a criança, mas sem permanece­rem continuamente ao lado dela. É ne­cessário que adquira autonomia suficien­te para agir na escola do mesmo modo como aprende em casa.

Os pais devem mencionar ao filho as pequenas conquistas quotidianas por­que às vezes ele não se apercebe ou não as valoriza. Os elogios são os melhores incentivos para a criança aumentar a sua auto-estima.


Bibliografia: Enciclopédia dos Pais – parte I

Como lidar com as Birras ...


É PRECISO TEMPO. A CRIANÇA PRECISA DESTE CONFRONTO COM O ADULTO PARA:

a) Aprender os seus limites;

b) Lidar com a frustração de não ter tudo o que quer. Estas experiências serão muito importantes para o seu desenvolvimento.

FAZER A SELECÇÃO DAS BIRRAS:

A criança deve poder “ganhar” em pequenas coisas:

- A vontade legítima também pode ser satisfeita.

- No entanto, deve ser contrariada em tudo o que:

a) Represente perigo – ex. andar de carro fora da cadeirinha, mexer na gaveta dos talheres, etc.

b) A prejudique – ex. deitar-se tarde, comer muitos doces, usar sandálias no inverno, etc.

c) A faça sentir que manda nos pais – ex. dar pontapés na mãe durante a birra, obrigar o pai a dar o telemóvel, exigir brinquedos, etc.

NÃO ENTRAR EM GRANDES EXPLICAÇÕES MORAIS, NEM APELAR AOS SENTIMENTOS DA CRIANÇA:

Por exemplo:

“Não podes fazer isso porque...”

“Olha que a mãe fica triste e chora”

Esta atitude só enerva mais a criança, uma vez que já está exaltada e dá-lhe mais espaço para armar a birra.

ASSUMIR A RESPONSABILIDADE PELA EDUCAÇÃO: NÃO USAR PERSONAGENS PARA PUNIR A CRIANÇA:

Por exemplo:

a) A ameaça com personagens (televisão) agressivas ou figuras reais punitivas desautoriza os pais.

b) Assim a criança sente que os pais não têm capacidade para a conter. Vai continuar a explorar limites.

EVITAR CONTRADIÇÕES ENTRE O QUE É DITO PELOS PAIS:

a) Os pais devem manter regras.

b) O que é autorizado e o que não o é deve ser conhecido por todos na educação da criança.

c) A mínima contradição cria espaço para o não cumprimento.

NUNCA CEDER A MEIO DE UMA BIRRA:

a) Se já foi estabelecido pelos pais que determinado comportamento não é aceitável (perigoso, prejudicial, autoritário), então devem conter a Birra até ao fim sem ceder.

b) Todavia, não confundir cumprir regras com estarmos zangados ou até com não gostarmos da criança.

ACEITAR O CHORO DA CRIANÇA:

a) Demonstrar à criança que pode chorar (até faz bem), queixar-se e tentar consolar-se no seu colo ou com algum objecto de conforto.

b) Se aceitarmos o choro como normal e natural, a criança não se vai sentir um empecilho. E não tem que se comportar como tal. Vai sentir que tem valor, porque gostam dela.

VALORIZAR O FIM DA BIRRA:

a) Depois de os ânimos acalmarem, a criança deve ser valorizada por ter conseguido acalmar-se sem o seu desejo (exigência ilegítima) ter sido realizado.

b) Não o fazer é equivalente a transmitir que se está zangado e que já não se gosta da criança.


Nós e os outros...





Ouvimos muitas vezes as pessoas a queixarem-se dos outros... mas afinal se todos se queixam o que é que está mal?

Há pessoas com quem nos sentimos bem e pessoas com quem nos sentimos mal. Porque será? Vale a pena parar para pensar um pouco sobre isso!

Nos momentos mais difíceis, quando estiver com pensamentos negativos, lembre-se se não gosta de si, quem gostará?
A pessoa que tem má imagem de si e do outro, não reconhece o seu valor nem o valor do outro, desenvolve assim sentimentos de tristeza, solidão, desconfiança. Fica prisioneira do pessimismo e perde o interesse pela vida.

Quem tem auto-estima enfrenta as adversidades como um novo desafio e não como uma incapacidade pessoal. Quem não comete erros não faz progressos. Cabe a si aceitar-se a si próprio como é, quando errar enfrente as responsabilidades e reflicta sobre a aprendizagem que retirou dos erros que cometeu.

Nós somos responsáveis pela forma como reagimos. Os outros são responsáveis por aquilo que dizem ou fazem. A crítica é deles. A reacção é nossa.

"A nossa maior glória não está em nunca cairmos, mas no facto de nos levantarmos sempre que caímos" (Confúcio).

O que é, é.


A realidade não é como me conviria a mim que fosse.
Não é como deveria ser.
Não é como me disseram que ia ser.
Não é como foi.
Não é como será amanhã.
A realidade fora de mim é como é.

A mudança só pode produzir-se quando estivermos conscientes da situação presente.
Só posso iniciar o meu caminho desde o meu ponto de partida e isso é aceitar que as coisas são como são.

Este pensamento foi retirado do livro "Contos para pensar", de Jorge Bucay.

"Os contos servem para adormecer as crianças e para despertar os adultos", Bucay, J. (2004).

Terapia do Elogio


Psicoterapeutas que trabalham com famílias, divulgaram uma recente pesquisa onde constataram que os membros das famílias estão cada vez mais frios, mais distantes, não existe mais carinho, não valorizam mais as qualidades, só se ouvem críticas.
As pessoas estão cada vez mais intolerantes e desgastam-se valorizando os defeitos dos outros.
Por isso, os relacionamentos de hoje não duram.

A ausência de elogio está cada vez mais presente nas famílias. Não vemos mais homens elogiando as suas mulheres ou vice-versa, não vemos chefes elogiando o trabalho dos seus subordinados, não vemos mais pais e filhos elogiando-se …
A ausência de elogio tem afectado muitas famílias. A falta de diálogo nos seus lares, o excesso de orgulho impede que as pessoas digam o que sentem e levam essa carência para dentro dos consultórios. Acabam com seus casamentos, acabam procurando em outras pessoas o que não conseguem dentro de casa. Vamos começar a valorizar nossas famílias, amigos, alunos, subordinados. Vamos elogiar o bom profissional, a boa atitude, a ética, a beleza dos nossos parceiros ou nossas parceiras, o comportamento dos nossos filhos.

Vamos observar o que as pessoas gostam!
O bom profissional gosta de ser reconhecido;
O bom filho gosta de ser reconhecido;
O bom pai ou a boa mãe gostam de ser reconhecidos;
O bom amigo quer sentir-se querido;
Vivemos numa sociedade em que um precisa do outro; os elogios são a motivação na vida de qualquer pessoa.


Quantas pessoas poderá fazer feliz hoje elogiando-as de alguma forma?